quarta-feira, 29 de abril de 2020
Silly walks
Este vídeo, publicado com o álibi do Dia Mundial da Dança, reúne várias coisas que me dispõem bem. Listo-as, mesmo que ninguém mo tenha pedido: a música, a voz de Michael Stipe, a letra, o roteiro do vídeo no duplo sentido (geográfico e cinematográfico), a fotografia (no sentido cinematográfico), o movimento da câmara e do protagonista, a coreografia, a agilidade, a flexibilidade, a representação, a expressão e, sobretudo, a atitude da personagem — tudo resumindo a inveja (antiga, bem pré-Covid-19) que tenho de andar pelas ruas deste modo, quotidianamente, em cada deslocação, para a taberna ou para o trabalho.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Música triste
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| (Clique aqui para ver a lista.) |
O blogue Discogs publicou a sua lista dos «35 álbuns mais tristes de sempre» e disse, invocando até a Psicologia, que toda a gente gosta de canções tristes.
Não sei de toda a gente, mas eu, que espreitei a lista, posso dizer que já fui (sou) muito feliz com grande parte daqueles 35 tristíssimos álbuns*.
* Alguns dos quais ouvi, e às vezes ouço, obsessivamente, por exemplo, “White Chalk” ou “Hospice”.
sábado, 25 de abril de 2020
Um 25 de Abril
Há muitos, muitos anos, noutra encarnação, eu era baixista numa banda que no seu derradeiro momento perdeu para os Ornatos Violeta e paralelamente fazia gigs, como agora se diz em bom português, em bares, salões de baile, comícios e cerimónias de 25 de Abril.
Bem, no 25 de Abril tocámos apenas uma vez, que me lembre.
Foi na Adega do Faustino, esse templo dionisíaco em Chaves, e como a coisa era à tarde ainda não estávamos suficientemente bêbados para eu logo ter esquecido tudo. Não é que lembre grandes detalhes (foi há muitos, muitos anos, como disse...), mas há uma parte que ficou, não sei se comovente se cómica. Já veremos.
Éramos um trio, por vezes quarteto ou quinteto (não dependia do cachet), que levava o trabalho a sério e para aquele dia preparámos, por gosto musical e adequação temática, várias obras do Zeca Afonso. Não tínhamos ideias políticas muito definidas, acho, e na minha família recuada até havia certa admiração (felizmente retórica, sem correspondência material) por Salazar, mas o imaginário e mensagem afonsinos seduziam-nos, além de que não éramos tão estúpidos que não percebêssemos a importância do 25 de Abril até para o simples facto de podermos estar ali a desfrutar de tão faustinos prazeres.
Mas, como disse, tínhamos ido para trabalhar, em bom rigor, pelo que havíamos preparado um alinhamento que incluía, como se imagina, como se impunha, a «Grândola». Mais do que prevê-la no alinhamento, planeámos o set para que aquela música fosse o apogeu, a razão última de ali termos ido. Não sabíamos, ou quisemos ignorar, que esse era também o sentimento do público.
Ficámos por isso surpreendidos — embora tivéssemos montado todo um número em torno da «Grândola» que incluía sacar o baterista a tarola do seu tripé para fazer de caixa de rufos e alinharmos com ele as guitarras e o passo como pelotão napoleónico em marcha —, ficámos então surpreendidos (e quase, quase, envaidecidos, penhorados) por aos primeiros rufos se ter levantado toda a audiência para, numa rigidez e seriedade de hino nacional, algumas mãos no peito, aguardar que despachássemos o prelúdio e a encenação que tanto nos orgulhavam e chegássemos, como era mister, à parte cantada, em que todos podiam participar, dando finalmente como bem cumprido o seu dia cerimonioso.
Num outro ‘concerto’, em diferente localidade e ocasião, tínhamos conquistado a sala quando, por manifesta incapacidade de sermos artisticamente compreendidos pelo público, desistimos do repertório ensaiado e atacámos, por gozo, por revanche, por casualidade até, as notas memoráveis duma peça que dava pelo nome arcádico de «Apita o Comboio». A assembleia levantou-se com um ânimo que fazia da imagem que anteriormente tínhamos dela uma vista de lápides em campo santo, juntou-se em pares e bailou como se não houvesse amanhã. Perante aquela explosão súbita, perante aquela alegria que não queríamos ser culpados de tornar breve (ai de nós, diziam-nos alguns olhares), improvisámos mais longamente que os Pink Floyd em Pompeia, dispostos a despir a camisa (e a gravata, usávamos gravata) se necessário fosse.
Ora, com uma carreira que obtinha reacções assim, podíamo-nos ter interrogado (mas nunca o fizemos, claro) sobre as vantagens que um gira-discos não teria para o público, o promotor e sobretudo a nossa dignidade artística.
No 25 de Abril flaviense, com a «Grândola», nós queríamos causar aquela reacção, aquela comoção, planeáramos aquilo, mas quando aconteceu não estávamos suficientemente confiantes de sermos capazes de o obter. Podíamos então ter sido artistas realizados — se não tivéssemos percebido logo, com uma clareza que na verdade sempre fora evidente, que o empolgamento não estava na nossa prestação, mas na canção e no que ela representava. O melhor que podíamos ter feito naquele dia, do ponto de vista da originalidade artística, da capacidade de atrair atenções especificamente para o nosso trabalho, era termos destruído a música e o momento logo depois dos primeiros coros, mas não tínhamos vocação punk. E também não calculámos a tempo quantas daquelas pessoas se levantaram e cantaram apenas por tradição, por ritual, como recitavam na missa em coro o Pai-Nosso — e como no texas-bar de Cabeceiras ou o raio teriam dançado o «Apita o Comboio», com o mesmo empenho e convicção.
Bem, no 25 de Abril tocámos apenas uma vez, que me lembre.
Foi na Adega do Faustino, esse templo dionisíaco em Chaves, e como a coisa era à tarde ainda não estávamos suficientemente bêbados para eu logo ter esquecido tudo. Não é que lembre grandes detalhes (foi há muitos, muitos anos, como disse...), mas há uma parte que ficou, não sei se comovente se cómica. Já veremos.
Éramos um trio, por vezes quarteto ou quinteto (não dependia do cachet), que levava o trabalho a sério e para aquele dia preparámos, por gosto musical e adequação temática, várias obras do Zeca Afonso. Não tínhamos ideias políticas muito definidas, acho, e na minha família recuada até havia certa admiração (felizmente retórica, sem correspondência material) por Salazar, mas o imaginário e mensagem afonsinos seduziam-nos, além de que não éramos tão estúpidos que não percebêssemos a importância do 25 de Abril até para o simples facto de podermos estar ali a desfrutar de tão faustinos prazeres.
Mas, como disse, tínhamos ido para trabalhar, em bom rigor, pelo que havíamos preparado um alinhamento que incluía, como se imagina, como se impunha, a «Grândola». Mais do que prevê-la no alinhamento, planeámos o set para que aquela música fosse o apogeu, a razão última de ali termos ido. Não sabíamos, ou quisemos ignorar, que esse era também o sentimento do público.
Ficámos por isso surpreendidos — embora tivéssemos montado todo um número em torno da «Grândola» que incluía sacar o baterista a tarola do seu tripé para fazer de caixa de rufos e alinharmos com ele as guitarras e o passo como pelotão napoleónico em marcha —, ficámos então surpreendidos (e quase, quase, envaidecidos, penhorados) por aos primeiros rufos se ter levantado toda a audiência para, numa rigidez e seriedade de hino nacional, algumas mãos no peito, aguardar que despachássemos o prelúdio e a encenação que tanto nos orgulhavam e chegássemos, como era mister, à parte cantada, em que todos podiam participar, dando finalmente como bem cumprido o seu dia cerimonioso.
Num outro ‘concerto’, em diferente localidade e ocasião, tínhamos conquistado a sala quando, por manifesta incapacidade de sermos artisticamente compreendidos pelo público, desistimos do repertório ensaiado e atacámos, por gozo, por revanche, por casualidade até, as notas memoráveis duma peça que dava pelo nome arcádico de «Apita o Comboio». A assembleia levantou-se com um ânimo que fazia da imagem que anteriormente tínhamos dela uma vista de lápides em campo santo, juntou-se em pares e bailou como se não houvesse amanhã. Perante aquela explosão súbita, perante aquela alegria que não queríamos ser culpados de tornar breve (ai de nós, diziam-nos alguns olhares), improvisámos mais longamente que os Pink Floyd em Pompeia, dispostos a despir a camisa (e a gravata, usávamos gravata) se necessário fosse.
Ora, com uma carreira que obtinha reacções assim, podíamo-nos ter interrogado (mas nunca o fizemos, claro) sobre as vantagens que um gira-discos não teria para o público, o promotor e sobretudo a nossa dignidade artística.
No 25 de Abril flaviense, com a «Grândola», nós queríamos causar aquela reacção, aquela comoção, planeáramos aquilo, mas quando aconteceu não estávamos suficientemente confiantes de sermos capazes de o obter. Podíamos então ter sido artistas realizados — se não tivéssemos percebido logo, com uma clareza que na verdade sempre fora evidente, que o empolgamento não estava na nossa prestação, mas na canção e no que ela representava. O melhor que podíamos ter feito naquele dia, do ponto de vista da originalidade artística, da capacidade de atrair atenções especificamente para o nosso trabalho, era termos destruído a música e o momento logo depois dos primeiros coros, mas não tínhamos vocação punk. E também não calculámos a tempo quantas daquelas pessoas se levantaram e cantaram apenas por tradição, por ritual, como recitavam na missa em coro o Pai-Nosso — e como no texas-bar de Cabeceiras ou o raio teriam dançado o «Apita o Comboio», com o mesmo empenho e convicção.
Nesta quarentena, visite o Divina Comédia
Nesta quarentena, visite regularmente o blogue Divina Comédia, do grande (amigo) J. F. Borges. Só tem a ganhar.
«Oportunidade espiritual
Em vez de a encararem, à semelhança do que sucedia antigamente, como um castigo decretado pelo Altíssimo, alguns especialistas – quer no âmbito de religiões instituídas, quer no de movimentos alternativos – afirmam que a actual pandemia constitui uma «oportunidade de crescimento espiritual». A tese, decerto irrefutável, não contradiz a hipótese de a «oportunidade de crescimento espiritual» permanecer rigorosamente intacta em tempos de não-pandemia, com a vantagem de, nessas alturas, não ter de se usar luvas, máscaras, desinfectantes, nem se ser habitado pelo receio de vir a hospedar determinado vírus – que já se mostrou capaz de obrigar um número significativo de contagiados a ir «crescer espiritualmente» para outras dimensões.»
sexta-feira, 24 de abril de 2020
O livro e a cultura
O editor e escritor Francisco José Viegas alerta há muitos anos, e com lancinante razão, para a tristeza trágica de termos um país sem uma política «favorável à criação de leitores e à circulação do livro». Fá-lo, por vezes, e é pena, opondo ao do livro outros sectores culturais onde a «incúria ou a indiferença» dos poderes será menor. Aconteceu de novo no artigo que escreveu esta quarta-feira no Público.
Defendermos que o livro e a leitura precisam de ser a grande prioridade de qualquer política cultural não nos devia tornar insensíveis a outras áreas. Por isso, a recorrente alusão de FJV ao sector do «espectáculo» com um certo tom de menosprezo compreende-se mas a generalização implícita e injusta desilude quem o lê e partilha as suas preocupações, fazendo temer uma mundividência algo truncada.
Julgo que concordamos que um dos grandes equívocos desta era, que perverte o apoio às artes, é tomar-se também como «cultura» actividades que com maior honestidade e proveito público se catalogariam de forma diferente. Manifestações, por exemplo, do domínio do mero entretenimento, em que sobretudo a moderna música popular é pródiga. Esta promiscuidade terminológica deixa sequelas legislativas e constitui a antecâmara de certa permissividade institucional na utilização discutível de dinheiros públicos, contribuindo, por isso, para a má percepção ou mesmo o antagonismo de alguma opinião pública.
E contudo uma parte do mundo do espectáculo, aquela que se refere por exemplo ao teatro e à dança e seus cruzamentos, padece de problemas análogos aos do livro. Também esta área, quando não coincide com o «espectáculo» no sentido superfluamente festivo e sobretudo decorativo a que Viegas alude, carece de uma política favorável à criação de público e à circulação de produções. Infelizmente, o sistema político e social vigente opera aqui do mesmo modo que expressa esta passagem essencial do artigo de FJV:
A cultura, do livro ao teatro, tem demasiadas vezes essa função, nem sempre involuntária, de pin de lapela e item de checklist inofensiva ou politicamente correcta. É usada por dirigentes ou entidades como berloque em eventos auto-promocionais e exibida depois, com a aposição de um diligente visto burocrático, numa lista de pequenas penitências ou obrigações a que o moderno líder político não julga poder escapar — embora também nunca lhe ocorra ter nada de importante a fazer com ela.
No fundo precisamos de CEOs e de líderes e representantes políticos (no caso não demasiado provável de ainda termos onde os escolher) capazes de darem o exemplo a partir «de cima», capazes de adoptarem como lema para si mesmos e para as instituições que dirigem (a começar pelas televisões de sinal aberto e pelas grandes editoras) o slogan da RTP2: «Culta e adulta». Culta no sentido antigo de se ter mundo e leituras e adulta não no sentido de liberdade para a pornografia mas de fim da idade parva.
Defendermos que o livro e a leitura precisam de ser a grande prioridade de qualquer política cultural não nos devia tornar insensíveis a outras áreas. Por isso, a recorrente alusão de FJV ao sector do «espectáculo» com um certo tom de menosprezo compreende-se mas a generalização implícita e injusta desilude quem o lê e partilha as suas preocupações, fazendo temer uma mundividência algo truncada.
Julgo que concordamos que um dos grandes equívocos desta era, que perverte o apoio às artes, é tomar-se também como «cultura» actividades que com maior honestidade e proveito público se catalogariam de forma diferente. Manifestações, por exemplo, do domínio do mero entretenimento, em que sobretudo a moderna música popular é pródiga. Esta promiscuidade terminológica deixa sequelas legislativas e constitui a antecâmara de certa permissividade institucional na utilização discutível de dinheiros públicos, contribuindo, por isso, para a má percepção ou mesmo o antagonismo de alguma opinião pública.
E contudo uma parte do mundo do espectáculo, aquela que se refere por exemplo ao teatro e à dança e seus cruzamentos, padece de problemas análogos aos do livro. Também esta área, quando não coincide com o «espectáculo» no sentido superfluamente festivo e sobretudo decorativo a que Viegas alude, carece de uma política favorável à criação de público e à circulação de produções. Infelizmente, o sistema político e social vigente opera aqui do mesmo modo que expressa esta passagem essencial do artigo de FJV:
«“de cima” […] nunca vem um exemplo capaz de levar mais pessoas a ler, a querer ler ou a sentirem que a leitura é um importante instrumento de conhecimento e de diálogo com o passado e com o futuro, e também de elevação individual e participação na vida comunitária».Experimente-se substituir na frase anterior, para alargamento da ideia e não como oposição a ela, o campo semântico da «leitura» pelo do «teatro» e compreenderemos como um dos problemas estruturais da cultura no país é, de facto, «a indiferença e a incúria», mas também o desdém ou mesmo a hostilidade, de diferentes poderes políticos e económicos.
A cultura, do livro ao teatro, tem demasiadas vezes essa função, nem sempre involuntária, de pin de lapela e item de checklist inofensiva ou politicamente correcta. É usada por dirigentes ou entidades como berloque em eventos auto-promocionais e exibida depois, com a aposição de um diligente visto burocrático, numa lista de pequenas penitências ou obrigações a que o moderno líder político não julga poder escapar — embora também nunca lhe ocorra ter nada de importante a fazer com ela.
No fundo precisamos de CEOs e de líderes e representantes políticos (no caso não demasiado provável de ainda termos onde os escolher) capazes de darem o exemplo a partir «de cima», capazes de adoptarem como lema para si mesmos e para as instituições que dirigem (a começar pelas televisões de sinal aberto e pelas grandes editoras) o slogan da RTP2: «Culta e adulta». Culta no sentido antigo de se ter mundo e leituras e adulta não no sentido de liberdade para a pornografia mas de fim da idade parva.
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Bom dia, Filipina!
Por vezes é preciso recorrer ao Camilo ou a outro seu contemporâneo para com delicadeza observar num debate que certas palavras tidas como orgulhosos “regionalismos” são na verdade mais gerais arcaísmos, termos caídos em desuso na maior parte do território nacional que, por razões geográficas, culturais, económicas ou outras, se mantiveram ou mantêm na linguagem corrente de determinada parcela pátria.
O inverso também se dá, lembrarmos certas expressões da infância e quando as dizemos noutras zonas do país as tomarem por regionalismos nossos. Ontem no Proust, esse transmontano inveterado, encontrei alusão a uma delas: «Bom dia, Filipina!»
Nos magustos da minha infância (e suponho que de muitas outras), quando alguém encontrava no interior de uma mesma castanha dois pedaços autónomos, cada um envolto na sua própria pele interior, como gémeos no útero, partilhava um dos pedaços com um parceiro e ambos ficavam comprometidos num jogo que ganhava o que no dia seguinte primeiro dissesse «Bom dia, Filipino!». (Creio que dizíamos, talvez por corruptela infantil, «Filipinho». Em francês, segundo a nota do tradutor, era «Philippine», e jogava-se com amêndoas.)
"Filipina" é o gomo mais pequeno de um citrino, e isto serve de ilustração gráfica, não sei se também etimológica.
O inverso também se dá, lembrarmos certas expressões da infância e quando as dizemos noutras zonas do país as tomarem por regionalismos nossos. Ontem no Proust, esse transmontano inveterado, encontrei alusão a uma delas: «Bom dia, Filipina!»
Nos magustos da minha infância (e suponho que de muitas outras), quando alguém encontrava no interior de uma mesma castanha dois pedaços autónomos, cada um envolto na sua própria pele interior, como gémeos no útero, partilhava um dos pedaços com um parceiro e ambos ficavam comprometidos num jogo que ganhava o que no dia seguinte primeiro dissesse «Bom dia, Filipino!». (Creio que dizíamos, talvez por corruptela infantil, «Filipinho». Em francês, segundo a nota do tradutor, era «Philippine», e jogava-se com amêndoas.)
"Filipina" é o gomo mais pequeno de um citrino, e isto serve de ilustração gráfica, não sei se também etimológica.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Grotta
Saiu o número 4 da Grotta, a revista literária que se edita dos Açores para o mundo. Nele publico, a convite de Nuno Costa Santos, uma pequena ficção que talvez seja o início de qualquer outra coisa.
A revista de momento apenas pode ser encomendada online. Aqui: https://www.letraslavadas.pt/destaque/grotta-arquipelago-de-escritores-4/
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